Lewis Baltz, a beleza da desolação

É a primeira exposição realizada na Espanha, e a primeira retrospectiva internacional após o falecimento do artista, em 2014. A exposição, composta por aproximadamente 400 fotografias, percorre por toda a obra de Lewis Baltz. Até 4 de junho na Sala Bárbara de Braganza, em Madri.

Lewis Baltz Monterey, de la serie The Prototype Works, 1967 Galerie Thomas Zander, Colonia © The Lewis Baltz Trust

Lewis Baltz (Newport Beach, Califórnia, 1945-Paris, 2014) é um dos fotógrafos mais importantes da segunda metade do século XX. Sua obra esteve relacionada tradicionalmente com a geração de fotógrafos agrupados ao redor da exposição New Topographics, que questionavam a ideia da paisagem como uma imagem bela e existencial, quase sagrada, e o demonstrou como um fato real, resultado da quase sempre desafortunada ação do homem. A fotografia foi o instrumento que Baltz usou como meio de expressão, como ferramenta de investigação e conhecimento, alinhado com a filosofia e a arte dos anos sessenta e setenta. Por isso, Baltz atuou, formalmente, como um profissional da fotografia direta, porém, em relação ao
conteúdo, foi um artista do pensamento conceitual e sua formação foi forjada no contexto artístico da época.

Fotógrafo precoce

Lewis Baltz começou a fazer fotografias com apenas 12 anos, a pedido de William Current, seu mentor fotográfico. Admirador de Robert Frank, mas sobretudo de Edward Weston e da avaliação de sua missão artística, Baltz estudou no San Francisco Art Institute (1969) e no Claremont Graduate School de Califórnia (1972). Seus primeiros trabalhos datam da sua época de estudante, The Prototype Works e The Tract Houses, série que expõe em 1971 na influente galeria de Leo Castelli, em Nova York. Em 1975,¨Baltz participa na exposição New Topographics: Photographs of a Man-Altered Landscape (George Eastman House, Rochester, NY), que supõe uma ruptura com a visão idealizada da paisagem que a fotografia americana tinha projetado tradicionalmente. Dessa forma, junto a fotógrafos como Robert Adams, Bernd e Hilla Becher, Frank Gohlke, Nicholas Nixon ou Stephen Shore, Baltz deixa de olhar a natureza intacta e os parques nacionais e volta o olhar para as cidades, a paisagem usada, gasta, transformada, capitalizada, aos subúrbios que cresciam rapidamente e proliferavam nas cidades norteamericanas. A paisagem tinha se convertido em território, delimitador, excludente, mas antes de tudo ocupado. Entre essa geração de fotógrafos, Baltz é, sobretudo, quem de fotógrafos, es sobre todo Baltz quien vuelve su visión del paisaje de espaldas al viejo romanticismo, dotando a la imagen de un nuevo significado.

O urbanismo é, conforme Baltz, a materialização do poder e o poder, ideologia em si mesmo

Exploração da paisagem

Suas séries Tract Houses, New Industrial Parks near Irvine, California, Maryland, Nevada, Park City, St. Quentin Point, Continuous Fire Polar Circle, Near Reno e Candlestick Point exploram estas novas ideias em torno à paisagem. Iniciando nos últimos anos da década de sessenta, e realizadas até 1989, todas elas estão compostas por pequenas fotografias em preto e branco; o fotógrafo as colocava na parede organizadas meticulosamente conforme a série. A partir de 1989 a obra de Baltz experimenta uma transformação radical. Continua presente no seu trabalho, nesta segunda etapa, a ideia fundamental de que o urbanismo (e toda a vida atual) é a materialização do poder, e que o poder é ideologia. Baltz, no entanto, compreende rápido que uma nova era mediática começou, e que os acontecimentos sociais começam exclusivamente pela mídia e são refletidos por ela. O resultado é que os meios de comunicação produzem uma hiperrealidade e, em consequência, não é possível diferenciar entre os acontecimentos autênticos e os simulados, o que termina finalmente na perda completa do acesso a uma realidade especificamente experimentável. As Obras fundamentais desta etapa são Rule without exception, Piazza Pugliese, Sites of Technology, Ronde de Nuit ou Venezia Marguera.

Lewis Baltz Corso dei Lavoro, de la serie Generic Night Cities, 1992 Cortesía de colección particular y Gallery Luisotti, Santa Mónica, California © The Lewis Baltz Trust

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