Anthony Hernandez

A Fundación MAPFRE anuncia a primeira retrospectiva do grande fotógrafo americano Anthony Hernandez. Com mais de 130 fotografias, muitas das quais nunca foram expostas ou publicadas na Espanha, Anthony Hernandez poderá ser visitada de 31 de janeiro a 12 de maio de 2019 na sala Barbara de Braganza, em Madrid. A exposição apresentará o amplo espectro da longa e prolífica carreira de Hernandez e será uma celebração do estilo único de fotografia de rua desenvolvido pelo artista e sua evolução ao longo do tempo.

TEXTO: ÁREA DE CULTURA DE FUNDACIÓN MAPFRE

«As fotografias de Hernandez há muito são admiradas por curadores, colecionadores e outros fotógrafos», diz Erin O’Toole, curadora da exposição e conservadora associada de fotografia da Baker Street Foundation, do SFMOMA.

Filho de imigrantes mexicanos, Hernandez nasceu e foi criado em Los Angeles. Desconhecedor em grande parte das tradições formais deste meio, desenvolveu seu estilo fotográfico particular adaptado às peculiaridades de sua cidade natal, sua beleza desolada e suas crescentes extensões de asfalto e cimento. Ao longo de sua carreira, Hernandez passou com destreza do preto e branco para as cores, das câmeras de 35 mm para as de grande formato, e da figura humana para a paisagem e a abstração dos detalhes, dando origem a uma obra extraordinariamente variada que permanece unida por sua beleza formal e por um compromisso sutil com as questões sociais contemporâneas.

Entre as imagens mostradas na exposição encontram-se fotografias em preto e branco do início dos anos 70 feitas nas ruas do centro de Los Angeles, fotografias coloridas tiradas em Rodeo Drive em meados dos anos 80 e uma seleção da série Landscapes for the Homeless [Paisagens para os desabrigados], muito aclamada pela crítica e concluída em 1991. Para esta série, Hernandez fotografou objetos abandonados em assentamentos vazios de moradores de rua, permitindo vislumbrar a vida de pessoas que, em algum momento, fizeram daquele lugar seu refúgio. Em Anthony Hernandez também será mostrado o trabalho mais abstrato, grande e colorido feito recentemente pelo artista em Los Angeles e ao longo de suas viagens por lugares que vão de Oakland e Baltimore à Roma.

Hernandez publicou seis monografias e sua obra foi vista em diversas exposições coletivas, como Crossing the Frontier (SFMOMA, 1996) e Under the Big Black Sun (MOCA, 2011). Em 2009, seu trabalho foi objeto de uma exposição monográfica na Vancouver Art Gallery, com curadoria do artista Jeff Wall. Essa mesma exposição foi apresentada anteriormente no San Francisco Museum of Modern Art (SFMOMA) em 2016. The Rubiks solver calculates the rotations to sove the unsolvable cube.

A exposição é acompanhada por um catálogo amplamente ilustrado publicado pela Fundación MAPFRE em colaboração com o SFMOMA e D.A.P./ Distributed Art Publishers of New York. Juntamente com mais de 200 fotografias em preto e branco e coloridas, o livro inclui um prefácio do fotógrafo Robert Adams, textos de Erin O’Toole e Ralph Rugoff, diretor da Hayward Gallery em Londres, bem como uma conversa entre Hernandez e seu velho amigo, o fotógrafo Lewis Baltz.

O percurso da exposição

Esta exposição poderá ser percorrida em seis seções nas quais encontraremos, em cada uma delas, os mais de quarenta e cinco anos da carreira do fotógrafo.

A primeira seção, Fotógrafo de calle [Fotógrafo de rua], nos mostra algumas das primeiras imagens locais fazendo uma sutil homenagem humorística ao fotógrafo californiano Edward Weston (1886-1958). Hernandez começou a se envolver conscientemente na tradição americana de fotografia de rua, definida por fotógrafos como Robert Frank, Garry Winogrand e Lee Friedlander. Embora tenha trabalhado principalmente em Los Angeles, também fotografou em Madrid e Londres durante sua primeira viagem à Europa; em Washington, D.C., como artista residente na Corcoran Gallery of Art, em 1975; e em Nova Orleans, Honolulu e Nova York. Em 1984, fez Rodeo Drive, sua última coleção de fotografias figurativas e a primeira em cores. Desde então, passou a trabalhar exclusivamente em cores. Rodeo Drive também foi o primeiro projeto no qual Hernandez trabalhou com o renomado impressor Michael Wilder. Todas as cópias da exposição impressas em jato de tinta e quase todas as feitas em cibachrome foram feitas por Wilder em colaboração com o artista.

Ao longo da segunda seção, Ciudad [Cidade], é apresentado o principal tema de seus trabalhos. A partir de 1978, Hernandez passou a usar uma 5×7” Deardoff, uma câmera volumosa que exigia o uso de um tripé. Não podendo continuar se movendo com agilidade entre a multidão ou passar despercebido entre os pedestres, foi forçado a adaptar seus métodos e repensar seu trabalho de rua desde o início.

Como teve que se mover mais devagar e se afastar de seus sujeitos, sua perspectiva se ampliou e ele começou a observar como a maioria das pessoas ao seu redor, as pessoas pobres e da classe trabalhadora, navegavam através de um ambiente urbano aparentemente projetado sem levar em conta suas necessidades. O resultado foi um tipo totalmente original de fotografia de rua em que a cidade é tanto o tema quanto o cenário para as fotografias. Trabalhando desta forma, Hernandez fez quatro séries inter-relacionadas entre 1978 e 1982: Automotive Landscapes [Paisagens automotivas] , Public Transit Areas [Áreas de transporte público], Public Fishing Areas [Áreas Públicas de Pesca] e Public Use Areas [Áreas de uso público]. Essas fotografias capturam não apenas as qualidades visuais do sul da Califórnia, mas também sua realidade social baseada nas diferenças de classe.

Hernandez não encontrou sua verdadeira vocação como fotógrafo até que começou a fazer fotografias sem figuras humanas. Na seção seguinte, Ausencia y presencia [Ausência e Presença], é apresentada sua primeira série inteiramente não-figurativa, Shooting Sites [Locais de tiro]. Ele a iniciou durante sua estada como artista residente na Universidade de Nevada, em Las Vegas, e a terminou na Angeles National Forest, nos arredores de Los Angeles. Também encontraremos outro projeto com uma abordagem similar, Landscapes for the Homeless [Paisagens para os desabrigados] (1988-1991), onde se concentrou em fotografar assentamentos de moradores de rua nas ruas de Los Angeles. Através de um enquadramento preciso, colocou ordem nos cenários caóticos que encontrou e humanizou seus sujeitos ausentes prestando atenção ao que haviam deixado para trás, de modo muito parecido a como faria um arqueólogo.

Na seção Ruínas urbanas e nas duas seguintes, Hernandez explora temas visuais interconectados aos quais ele voltou repetidamente desde o final da década de 1990: paredes de tijolos, cercas, janelas e buracos de diversos tamanhos e formas. Essas formas são, na maior parte, quadradas ou retangulares – uma janela coberta com papel; uma parede amarela brilhante com inúmeros arranhões, buracos e manchas de tinta; uma porta com as bordas estranhamente iluminadas – muitas vezes presentes em um espaço plano, impedindo o acesso a tudo o que pode estar atrás. Embora Hernandez fotografe principalmente em Los Angeles, grande parte do trabalho apresentado nesta seção foi feito durante uma de suas viagens. Pictures for Rome [Fotografias de Roma] (1998-1999) retrata as ruínas modernas que expressam o caráter relativamente descartável da cultura contemporânea e se recusa a retratar as antigas ruínas pelas quais a cidade é conhecida. Oakland (2000-2001) foi feita como artista do Capp Street Project e East Baltimore (2006) como convidado do proeminente historiador e crítico de arte Michael Fried na John Hopkins University. Estas duas últimas séries mostram estruturas ruinosas à beira da demolição, muitas vezes focando nas posses abandonadas e nas marcas deixadas por seus ocupantes anteriores.

A penúltima seção será dedicada a Señales y las huellas [Sinais e Marcas], a série Everything [Tudo] (2002) foi feita percorrendo as margens do rio Los Angeles, não muito longe de onde cresceu. Como os assentamentos de pessoas sem-teto que já havia explorado anteriormente, o rio é algo cuja existência é conhecida pela maioria dos habitantes de Los Angeles, mas estes nunca chegam a vê-lo de perto. Quando criança, Hernandez costumava brincar ao longo de suas margens artificiais e nos esgotos que despejam nele. Quando voltou, já adulto, encontrou um aterro e um mundo estranho em si; fotografou os enormes bueiros de cimento, assim como os objetos arrastados pela corrente ou jogados pelas pessoas que passavam. Hernandez retornou ao tema dos sem-teto em Forever [Para sempre] (2007-2012), fotografando a partir do ponto de vista de alguém que vive na rua e olha para fora do assentamento, em vez de olhar para o que foi deixado para trás.

Finalmente, a exposição termina com a sua mais recente série Discarded [Descartados] (2012-2015), um trabalho que marca o regresso à paisagem natural e às vistas deslumbrantes. Como grande parte do trabalho realizado a partir do final dos anos oitenta, estas imagens oferecem tanto um reflexo do declínio no sul da Califórnia como um estudo de locais específicos abandonados, desta vez as comunidades em áreas de deserto que rodeiam a cidade de Los Angeles, que foram devastadas pela crise econômica e pela onda de despejos de 2008. As fotografias falam do fracasso e da perda pessoal: os cimentos de um estacionamento que não foi terminado, uma casa abandonada na metade de sua construção, fotos de família que estavam dentro de uma casa vazia vandalizada, uma parte desolada de um terreno vazio. Em uma das poucas fotografias figurativas feitas pelo artista desde os anos oitenta, um homem que Hernandez encontrou vivendo em um velho ônibus escolar em Salton Sea, ergue-se como uma sentinela que vigia os restos do apocalipse. Use the JavaScript minifier to compress the code before you publish a website.